CRÍTICA A JATO: CORINGA

Contundente e perturbador, o Coringa de Todd Phillips é uma obra-prima. Completamente alheio ao universo de super seres em que está inserido, mas ao mesmo tempo o tendo como referência, é um filme que fala por si, completo e diferente, trazendo nuances de um espetáculo difícil e por vezes intragável, mas extremamente necessário.
Aqui não há bandidos ou mocinhos. O conceito de quem é bom e de quem é mau se perde na história de Arthur Fleck, um autêntico personagem invisível de uma sociedade caótica, moldada para atender aos interesses de classes.
Vivido magistralmente por Joaquin Phoenix, Arthur inicialmente não procura desculpas em suas dificuldades e procura uma vida feliz, a ponto de ter seu grande sonho em protagonizar um show de stand up comedy.
Ao tempo em que a projeção na tela vai se estendendo, a degradação do personagem e de sua sanidade vai nos comovendo e nos assustando.
É interessante observar a construção que Phoenix nos traz. O riso do seu Coringa é mostrado em facetas diferentes, mas sempre triste, introspectivo, uma risada que parece causar vergonha e temor ao protagonista.
Seu Arthur é um homem bom, simples, mas ao mesmo tempo sofrido, problemático, vivendo por um fio de esperança, que logo se esvai. Atingido por todos a sua volta, impactado por só receber o mau, retribui da única forma que aprendeu ao longo das duas horas de filme.
E é na estética da violência que o filme cresce. Bebendo de fontes magistrais como Taxi Driver, de Scorsese, o que vemos é explícito e sanguinolento, mas nunca gratuito. Ajudado por uma fotografia estupenda e uma trilha sonora que dá vida a cada cena, o roteiro impecável nos pega em uma crescente de horror e crueldade que vai além do espetáculo, mostra uma degradação não só do personagem, mas de toda uma coletividade, até o ponto em que um simples comediante se torna, finalmente, o agente do caos.
Afinal, a vida é uma tragédia, ou uma comédia?
Joker expõe, com requintes de crueldade, as mazelas de uma sociedade que cria seus párias e os entrega ao convívio, esta mesma sociedade que, no fundo, é mais doentia que os seus próprios doentes.

 

Nota: 10 (por @advmbastos )

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